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Quarta-feira, Março 17, 2004

 
Não tenho visto filmes. Ando meio ocupado com trabalhos, obrigaçõese com outras coisas, mas os últimos que vi foram estes 3

Fale Com Ela (ESP 2002) - 72 - Pedro Almodóvar - ****



Não estranhem a nota. Fale Com Ela é um ótimo filme, que conta a história do relacionamento de dois homens com duas mulheres em coma profundo e o próprio relacionamento entre os dois. É um filme bonito, que mostra as facetas do verdadeiro amor, com cenas bastante interessantes (quem não achou provocante aquelas cenas em que o médico dá banho na paciente?), incluindo aqui as cenas da tourada. (se bem que prefiro as do filme Os Amores de Um Toureiro (MÉX 1945), que vi no TCC). O modo diferente como as pacientes são tratadas pelos dois homens é muito interessante de ser observado assim como sentimento de culpa que ambos tem pelo acontecido. Os olhares de Javier Cámara (Benigno) para Alícia são apaixonados e envolventes e os atores tem esse apelo visual muito forte, transbordando sentimento, o que é comum nos filmes do Almodóvar. Agora, por que o 72? Por que a história não me envolveu por completo, como eu esperava que fosse acontecer, e em alguns momentos eu achei o filme monótono. Achei a participação de Caetano Veloso totalmente dispensável. Mas, apesar disso, Fale Com Ela é ótimo.

Chico Mendes: A Voz da Amazônia (BRA/EUA 1989) - 30 - Miranda Smith - *

Pleno Sábado ensolarado. Chego eu na faculdade, sonolento e descubro que teremos exibição de filmes. "Ótimo", eu pensei, achando que encontraria um filme decente. Mas Chico Mendes: A Voz da Amazônia é o contrário disso. A única coisa aproveitável do filme é a temática interessante e a própria memória de quem foi Chico Mendes. Isso é bem explorado pelo filme. Mas as complicações da narrativa são pífias, algumas cenas são apelativas e não tem o menor sentido, outras são completamente horrendas, ou seja, é péssimamente mal dirigido, escrito, feito, pra ser mais exato. O filme ainda não retrata bem o drama pessoal das pessoas atingidas pela derrubada de árvores. Raúl Julia (sim, ele mesmo da Família Adams) faz Chico Mendes decentemente, apesar de não estar constanto no imdb. Com todas essas características, Chico Mendes é tão ruim que eu preferia ter ficado em casa dormindo.

Um Grande Garoto (EUA/UK/FRA 2002) - 73 - Chris e Paul Wetiz - ****

Ótimo filme! Hilário, com um humor leve e sem ser escatológico. O filme conta a história de um homem problemático (Hugh Grant, excelente, isso é raro!), que vive sozinho e tira seu sustento dos diretos autorais de uma música natalina que seu pai fez. Á procura de uma mulher, ou simplismente de sexo, ele passa a visitar grupos de mães solteiras, pois decobre que pode ter mais sorte com estas. Fingindo ter um filho de 2 anos, ele tenta o sucesso com as mulheres igualmente problemáticas. Nisso, um garoto também problemático e frustrado (Nicholas Hoult, achei-o bem fraquinho), filho de uma mãe suicida, se envolve com o solteirão e desenvolve uma relação praticamente de pai/filho com o mesmo. O filme baseado no best-seller homônimo de Nick Hornby tem um roteiro bem construído e bem delineado e transcorre sem problemas. Vale a pena.


posted by FELIPE LEAL 11:45 AM


Quinta-feira, Março 11, 2004

 
Pra não deixar isso aqui parado.

Últimos vistos

Cassino (EUA 1995) - 74 - Martin Scorsese - ****

Um filme que mostra as mazelas e a podridão hipócrita constantes na cidade de Los Angeles a partir da aparência luxuosa e intocável dos cassinos. Esse filme me lembrou em alguns momentos Los Angeles - Cidade Proibida, no ponto de contato entre ambos que é a própria cidade sendo mostrada de uma forma bem crítica e crua. Um belo trabalho de Martin Scorsese aqui, um filme bem conduzido e com um roteiro interessante. Elenco em geral de parabéns, principalmente deNiro e Pesci. Não gostei de Sharon Stone, interpretando uma prostituta interesseira que grita a 120 decibéis por palavra emitida, talvez ela tenha sido, IMO, a única baixa do filme. Não aprovo, mas não critico também o personagem de Joe Pesci, sujeito baixinho, violento e megalomaníaco, que em certos momentos comete alguns excessos, como na sanguinolenta cena da caneta, ou na cena de sexo com Stone que muitos dizem ser a pior de toda a história do cinema. Eu não a acho tão rium assim. Só não acho tão boa quanto o resto do filme.

Amor Á Flor da Pele (Hong Kong 2000) - 87 - Wong Kar-Wai - *****

Um dos romances mais poderosos que eu já vi. A fluidez do trabalho de Kai-War é um negócio incrível, mágico. As cenas em câmera lenta, com um fundo musical envolvente e arrebatador, permanecem na minha cabeça desde então. Eu podia ver um filme inteiro só sobre aquelas cenas, sem parar. O jogo de sedução entre os dois amantes não declarados é um negócio lindo, verdadeiro. A forma que eles utilizam para permanecerem íntegros perante a situação de abandono dos cônjugues é tímida, mas ainda sim, muito apaixonada. Amor Á Flor da Pele é um filme que fala, como o próprio título diz, não de paixão, mas de algo mais forte que isso, de amor, de busca afetiva e da felicidade por simplismente estar ao lado da pessoa amada. O modo contido como a dupla de protagonistas se ama é uma das coisas mais interessantes que eu vi ali, num sentido bem oriental, misterioso. Este foi o meu primeiro filme de Kai-War, e a direção dele é fantástica, assim como o roteiro do filme. Amor Á Flor da Pele é um filme profundo, delicado e sobretudo, lindíssimo, muitas vezes resgatando a romances do passado.

Boys (EUA 1996) - 24 - Stacy Cochran - 0

Esperava mais desse filme protagonizado pela bela Winona Ryder. Mas o filme é fraquíssimo. É a história de uma mulher, que envolvida num assassinato, acaba de encontro com um aluno de um reformatório. Aí, obviamente, surge uma história de amor entre eles, encontros e desencontros, o garoto com o seu senso de liberdade aflorado, discussões com o pai, etc. Ou seja, o filme é um clichê ambulante, nada mais. Tem uns momentos não tão ruins quanto o todo, mas eles não são relevantes. O próprio ator principal, Lukas Haas, tem tantas variações faciais quanto o cigano Ígor, aquele mané da novela global. Não vale nem chegar perto desse filme, sério.

Pi (EUA 1998) - 86 - Darren Aronofsky - *****

Maravilha. Fotografia em preto e branco, trilha sonora frenética, muito envolvente. Ambiente muito claustrofóbico, edição em alta velocidade, diálogos mind-fuck, introspecção psicológica, isolamento. Pi tem isso tudo e muito mais. Pi é um filme bem complexo, com alguns momentos bem surreais e com um profundo encadeamento criativo dos roteiristas, entre ele, Darren Aronofsky. O processo de degradação do personagem principal me lembrou em certos momentos de Réquiem Para Um Sonho, do mesmo diretor. Todo o caos da narrativa, as passagens expressionistas e a obscessão do personagem são muito bem criadas e todas pautadas num roteiro excepcional. O personagem principal, um matemático problemático tenta achar uma combinação em forma de ciclos para poder prever os resultados do mercado acionário norte americano. Não sabe ele, que a mesma sequência de 216 dígitos, é a procurada incansavelmente por adventistas do Thorá judeu, que dizem que os 216 números na verdade são as letras formadoras do verdadeiro nome de Deus. Com uma narrativa completamente envolvente e impressionante, Pi é uma das melhores coisas produzidas na década de 90 com toda a certeza.


posted by FELIPE LEAL 4:39 PM


Segunda-feira, Março 08, 2004

 
Ultimos vistos

Três Homens em Conflito (ITA 1966) - *****



É o melhor faroeste que já assisti. O ápice do western spaghetti e até então, o melhor filme do diretor Sergio Leone. Destaque para o constante tom irônico do filme, maravilhosamente criado, num roteiro amarrado e envolvente, tudo contribuindo para o ambiente deboxado dos western spaghetti. Dos três personagens principais, O Feio (Eli Wallach), O Bom (Clint Eastwood) e O Mau (Lee Van Cleef), eu gostei mais do fantástico Eli Wallach, numa das melhores atuações, senão a melhor atuação que eu vi num filme de faroeste, em toda a minha vida. Clint Eastwood e Lee Van Cleef estão bem, mas ainda assim, longe de Wallach.

As definições dos personagens como bom, meu e feio são meramente caricaturais, deve-se dizer já que Sergio Leone mostra claramente que essas características não são restritas a pesonagens isolados. Três Homens em Conflito é independete de Por Uns Dólares a Mais no que se diz respeito ao personagem de Lee Van Cleef. Ele não é o mesmo nos dois filmes, interpretando personagens totalmente diferentes (Coronel Douglas Mortimer em Por Uns Dólares a Mais e o Mau em Três Homens em Conflito). O único que prevalece como o mesmo personagem é o de Clint Eastwood, que mesmo caracterizado como 'o bom', não permanece íntegro na realidade do velho oeste.

Os Closes nos olhos dos personagens, são muito usados nesse filme assim como nos outros dois filmes da Trilogia do Homem Sem Nome (Por Um Punhado de Dólares, Por Uns Dólares a Mais). Os personagens caricaturados são bem contruídos, com maior destaque ao Feio, notadamente o personagem mais complexo dos três. Coberto de amizades fragmentadas, problemas familiares e focos de solidão.

O mais importante nesse filme que se passa durante a guerra entre o norte abolicionista e o sul escravocrata, é o dinheiro. A ganância dos homens e como ele pode unir e destruir amizades, provocar mortes vãs e acessos de vingança. O jogo pela vida no velho oeste também é bem explorado por Leone, sempre acompanhado de uma trilha poderosa, e ele sempre circula a preocupação com os bens materiais, com ouro, que enchem os olhos dos homens e até mesmo, os cegam.

Com cenas memoráveis, principalmente as de destaque no início e no final, uma fotografia absurda e uma trilha sonora daquelas que permanecem na sua cabeça por 3 semanas seguidas (Ennio Moricone), Três Homens em Conflito é uma obra prima total.

Cotação - 93

Sete Homens e Um Destino (EUA 1960) - ***



Sempre quis ver esse filme. Mesmo antes de assistir Os Sete Samurais (1954), de Akira Kurosawa. Mas, felizmente, só o fiz depois de observar a obra prima do diretor japonês. Talvez, justamente por isso, não tenha achado Sete Homens e Um Destino muito bom.

O filme, inegavelmente, permanece na sombra do oriental. Para quem não sabe, Sete Homens e Um Destino é uma releitura do filme japonês, só que ao invés de utilizar samurais e espadachins, o filme americano utiliza o cenário do velho oeste, revólveres e espingardas. Só nesse ponto, o filme já perdeu um pouco da atmosfera romântica ou ainda clássica do filme japonês. Não se matam homens com apenas um dedo. É mais complexo que isso.

Numa comparação inevitável, o filme de John Sturges peca pela falta de poder do diretor em estar a frente de um projeto tão grandioso. A direção do americano é bem inferior a de Kurosawa, que cria batalhas primorosas e dilemas morais mais verdadeiros. A fotografia dos dois é equivalente, sendo a do japonês, em preto e branco. O roteiro do filme japonês também é inegavelmente melhor, e isso pode ser visto principalmente no caso de amor entre o pistoleiro mais jovem do grupo e a jovem da aldeia. Nada comparado ao romance mais tímido e mais simplista do filme japonês. Outro exemplo são os diálogos do líder da aldeia de mexicanos (o que morreu nas gravações de Gladiador) e o dos meninos com Charles Bronson, ambos fracos. Em critério de atuação, o filme americano tem belas presenças, como a de Eli Wallach (ele novamente, sempre fantástico), Steve MacQueen e James Coburn. O personagem principal, o jovem pistoleiro Chris interpretado por Yul Brynner não chega nem perto de Toshirô Mifune. O ator japonês tem muito mais carisma e é mais competente.

Acho que a única superioridade clara do filme americano seria a trilha sonora. A trilha composta por Elmer Bernstein é magnífica, assim como os sete pistoleiros, para os membros da aldeia. Estes, de orgulho ferido vão desesperadamente procurar os defensores, a última saída. É interessante também o dilema dos mesmo quanto a arriscar ou não a suas vidas, podendo então continuar naquele estado deplorável e completamente submisso ao bandido Calvera (Eli Wallach) ou a enfrentá-lo e tentar mover aquele obstáculo, procurar autonomia, vivendo sem empecílhos e sobretudo, com honra. Honra, está palavra que é a mais pronunciada seja no filme de samurais ou no filme de pistoleiros, é ela que é a pivô dos acontecimentos. É a graça dos homens.

Cotação - 64

Coração Satânico (EUA 1987) - *



Este foi o meu primeiro filme do tão aclamado Alan Parker. Confesso que me decepcionei.

O filme até a primeira metade é muito bom, com um roteiro interessante, ainda que estranho e não convencional, uma história de detetives, uma trama envolvente de assassinatos envoltos numa trama de mistéria e numa roupagem até um pouco noir, por que não.

Porém, depois de surgirem muitas complicações na trama, o filme se perde (vodoo!? pés de galinha?). Pessoas começam a morrer de formas medonhas, e o próprio final do filme é previsível demais (olhos amarelados? faça-me o favor!). Coração Satânico tem cenas bem fortes, com destaque para a cena de sexo, com uma edição absolutamente rápida e imagens bem impactantes, deixando-me nauseado.

Além disso, o filme tem algumas atuações decentes, mas eu esperava um filme do deNiro! Mas ele não passa de um mero coadjuvante de luxo, alguém para dar status ao elenco. Michey Rourke é só decente.

A direção de Alan Parker é boa, buscando criar o máximo de suspense para cada cena, com a câmera parada ou se movimentando bem devagar, algumas cenas ganham maior impacto. Coração Satânico tem uns bons momentos de suspense, e só.

Como era de se esperar, me decepcionei. Coração Satânico é um filme fraco, mal conduzido principalmente na metade final, e com muitas complicações altamente desnecessárias, que só atrapalham o julgamento final.

Cotação - 40

posted by FELIPE LEAL 1:43 AM


Sábado, Março 06, 2004

 
Sejam felizes ou, Filmes do Fim de Semana

Sábado (06/03)

Telecine Action
15:00 - Três Homens em Conflito
18:15 - Scanners, Sua Mente Pode Destruir

Telecine Classic
18:10 - Vinhas da Ira

Domingo (07/03)
Telecine Premium
21:30 - Um Grande Garoto

Telecine Action
14:50 - Cassino

Telecine Emotion
16:15 - O Rei da Comédia
22:00 - Amor a Flor da Pele



posted by FELIPE LEAL 9:53 AM


Quinta-feira, Março 04, 2004

 
24-Escola de Rock. Visto no computador (04/03) [73] Richard Linklater EUA/ALE - 2003



Já vi tantas críticas excelentes de Escola de Rock, que a minha pode soar clichê, mas quero comentar o filme de qualquer forma.

O filme é realmente uma 'aula de rock'. As referências as mais diversas bandas que marcaram a história do rock e do heavy metal são flagrantes e muito bem colocadas; Pink Floyd, Led Zepellin, Iron Maiden, Black Sabbath, Ramones, entre muitas outras dão a verdadeira atmosfera e o tom de rock and roll ao filme.

Jack Black está perfeito em seu papel caricatural, um guitarrista poser, fracassado, que gosta de solos de 20 minutos no meio das músicas, e que foi expulso de sua própria banda. Além de tudo, está prestes a ser despejado pela namorada tirana de seu amigo ex-Megadeth. Desesperado, ele arruma um emprego de professor substituto numa escola primária, tomando o lugar de seu amigo de apartamento. Desde então, ele resolve dar aulas 'recesso' ou ficar comendo o lanche do pessoal. Porém, ao perceber as aptidões musicais dos alunos da conservadora escola, ele resolve montar uma banda com os alunos e participar de um festival.

As caras e bocas que Jack Black faz enquanto toca e enquanto ensina para os alunos as teorias de rock'n'roll são hilárias. O personagem de Dewey Finn é bastante interessante e a forma como ele 'usa' a turma da escola para construir o seu sonho de uma banda perfeita é justa em termos de se tratar de um personagem possivelmente fracassado e até injusta se formos pensar num ponto de vista maquinador.

Mas, teorias da conspiração deixadas de lado, já que não foi isso que Linklater (belo trabalho, aliás) quis nos passar com a sua fita, Escola de Rock é muito divertido. As canções, principalmente Escola de Rock são bem compostas e muito intrigantes, além de outras referências a bandas consagradas mundialmente, como 'Iron Man' do Black Sabbath e a própria trilha do filme, que tem Ramones como um dos elementos.

Escola de Rock é um filme muito engraçado. Os diálogos são inteligentes, os personagens infantis são bem interessantes e o roteiro, apesar de ter muitos clichês e em certos momentos soar bobinho, é bom, e o passa uma lição interessante, após o desfecho final. Vale a pena; e só menino homossexual, pseudo-estilista já vale muitas risadas. É um filme que todos deviam ver, ao contrário de muitos críticos que vinham dizendo que Escola de Rock é um filme de crianças para adultos. Eu discordo, é para todos.


Cotação - 73

25-Elefante. Visto no computador (04/03) [72] Gus Van Sant EUA 2003



Faz tempo que queria assistir a este filme do cineasta holandês Gus Van Sant. Desde antes do Festival de Cinema do Rio de Janeiro, mas pó razões adversas, não foi possível, e só hoje pude assisti-lo.

Elefante é um filme controverso e polêmico por natureza, afinal, ele fala sobre o massacre de Columbine, nos Estados Unidos, onde dois estudantes assassinaram a sangue frio, professores e alunos.

Uma coisa é inegável. A direção de Gus Van Sant, quase documental, é maravilhosa. As longas tomadas (coloca longas aí) regidas por uma fotografia carregada, dão um aspecto bem sombrio e complexo ao filme. Gus Van Sant, é fundamental. Ele cria o suspense nos enormes corredores da escola, como Stanley Kubrick fez em O Iluminado (comparação inevitável).

O roteiro, também de Gus Van Sant, preferiu não desenvolver os personagens. Ele nos mostra diversos personagens e estereótipos de uma escola norte americana, sem desenvolver praticamente nenhum deles de forma profunda, sendo apenas leviana, e ao mesmo tempo vai promovendo narrativas em flash back e recortes no roteiro que se encaixam em outros momentos, de forma muito bem feita.

Para ser sincero, eu não gostei da escolha de Van Sant em não desenvolver os personagens. Claro que essa pode ter sido uma opção (e foi) do diretor e roteirista, mas acho que sendo assim, o massacre fica como algo irrefutável, sem sentido e sem praticamente explicação. Os personagens simplismente entram, e saem matando tudo e a todos, e o espectador, assiste bestializado tudo aquilo. Pode ter sido uma escolha do diretor, em simplismente nos situar no ambiente da escola e nos tratar como (mais) um aluno, impotente diante do fato. Mas, não há pano de fundo. Eu não gostei disso ter sido omitido. O filme não abre uma discussão então para as causas do conflito. Quando surge alguma oportunidade é muito simplória (bolinhas de papel, jogos de tiro, etc). O foco na ausência da família poderia ter sido maior.

O filme tem inúmeros personagens pseudo desenvolvidos. São muitos. Elefante é um filme sem protagonistas, composto apenas de espectadores. Isto dá um caráter muito impessoal ao filme. Já a seqüência do massacre é muito bem feita. Uma fotografia sombria, com os tons de iluminação variando a cada metro e uma direção de Van Sant ora firme, ora oscilante, e o próprio final do processo, brutal, além de irônico.

Concluindo, Elefante é um bom filme que não abre uma discussão sobre o evento, mas ao menos, o mostra a partir de um outro ponto de vista (o do espectador), que se baseia num roteiro não linear mediano, mas em aspectos técnicos, o filme é primoroso, além de muito bonito. É uma experiência interessante.

Cotação - 72


posted by FELIPE LEAL 1:46 AM


Quarta-feira, Março 03, 2004

 
Amanhã, se tudo der certo, devo assistir Elefante de Gus Van Sant, finalmente...

Hoje, em minha aula de História da Comunicação, meu professor, como de praxe, resolveu não dar aula. Ele primeiro falou dos magnatas da imprensa, e como não podia deixar de mencionar, ele comentou o Cidadão Kane. Daí para o cinema foi um pulo. Desde então, ele ficou por cerca de 30 minutos falando sobre Cinema. Comparou Terra em Transe do Glauber Rocha com A Chinesa (1967) do Godard, e eu achei aquilo fantástico, principalmente, por que nunca havia ouvido falar daquele filme. Ele disse que as projeções históricas que os dois filmes promovem são bastante semelhantes, e acertadas. Depois, ele falou de Michelangelo Antonioni e de Orson Welles, principalmente. Gostei bastante daquela não-aula e de que o professor, pelo menos sabe alguma coisa de cinema, ao contrário do resto da sala. Quando ele perguntou, "Quem aqui já viu Cidadão Kane?!"

Só eu e mais 5 pessoas levantamos o braço. É foda isso numa turma com 65 pessoas, futuros jornalistas.

posted by FELIPE LEAL 12:35 AM


Segunda-feira, Março 01, 2004

 
Filmes Vistos Em Fevereiro

10-Era Uma Vez no Oeste. Visto em dvd alugado (04/02) [63] Sergio Leone ITA 1968
11-Domingo Sangrento. Visto em dvd alugado (05/02) [82] Paul Gengrass UK/IRE 2002
12-O Quarto Verde. Visto no canal Telecine Emotion (05/02) [57] François Truffaut FRA 1978
13-Embriagado de Amor. Visto em dvd alugado (06/02) [85] Paul Thomas Anderson EUA 2002
14-O Homem Que Sabia Demais. Visto em dvd alugado (08/02) [80] Alfred Hitchcock EUA 1956
15-A Última Noite. Visto em dvd alugado (18/02) [79] Spike Lee EUA 2002
16-O Iluminado. Visto em dvd alugado (19/02) [91] Stanley Kubrick EUA 1980
17-O Homem que Fazia Chover. Visto em dvd alugado (19/02) [77] Francis Ford Coppola EUA 1997
18-Zelig. Visto em dvd alugado (21/02) [66] Woody Allen EUA 1983
19-Platoon. Visto em dvd alugado (23/02) [84] Oliver Stone EUA 1986
20-Como Perder Um Homem Em 10 Dias. Visto em dvd alugado (23/02) [36] Donald Petrie EUA 2003
21-As Horas. Visto em dvd alugado (27/02) [76] Stephen Daldry EUA 2002
22-Cinema Paradiso. Visto em dvd alugado (28/02) [90] Giuseppe Tornatore ITA 1989
23-Laranja Mecânica. Visto em dvd alugado (28/02) [83] Stanley Kubrick UK - 1971

Melhor Filme do mês - O Iluminado - Stanley Kubrick - EUA 1980
Pior Filme do mês - Como Perder Um Homem Em Dez Dias - Donald Petrie - EUA 2003
Maior Decepção - Era Uma Vez No Oeste - Sergio Leone - ITA 1968
Maior Surpresa - Domingo Sangrento - Paul Gengrass - IRE/UK 2003
Melhor Direção - Stanley Kubrick em O Iluminado
Melhor Atuação - Jack Nicholson em O Iluminado

13 filmes. É uma quantia mínima, mas não consegui organizar bem meu tempo para vê-los ainda. Acredito que em Março eu deva ver por volta de 15 a 18 filmes. Não, não se espantem, eu não consegui ver nenhum filme no cinema em Fevereiro, em Recife tá muito ruim de se fazer isso.


posted by FELIPE LEAL 5:02 PM

 
Sobre o Oscar

A festa foi a mais previsível que eu já vi na vida. Não vou tirar o crédito de O Retorno do Rei, que gosto bastante, mas acho que pelo menos em 2 ou 3 categorias, a Academia devia ter preparado algumas surpresas. Retorno do Rei levando 11 Oscar foi demais. Eu apostei 7 e achava que iria levar no máximo 8. Mas quiseram deixá-lo junto com Ben-Hur e Titanic ("3 épicos de roupagem clássica", por sinal), paciência. Retorno do Rei levar Oscar em Roteiro Adaptado, Edição e Canção foi inaceitável. Mas no fim das contas, foi um presente da Academia para a Trilogia em si. Um pouco exagerado, é verdade.

A Trilogia do Senhor dos Anéis consegue então, mais prêmios que a Trilogia O Poderoso Chefão. 17 prêmios da primeira (4+2+11), contra 9 da segunda(3+6+0).

A festa foi burocrática. Alguns momentos chatos, piadinhas sem graça (como de praxe), músicas entediantes e outros momentos interessantes (a canção de Bicicletas de Bellevile, e Sofia Coppola agradecendo o prêmio, entre outros). A deste ano não foi muito longa, como a do ano passado ou do retrasado, não me recordo bem. Eu sinceramente me decepcionei com a previsibilidade do evento, como todos que o assistiram ontem a noite. O pior de tudo foi ver o REF tendo orgasmos a cada prêmio de RDR.

Porém, justiça seja feita, fiquei feliz pra cacete com o prêmio de Sofia Coppola (que agradecimentos foram aqueles?! Antonioni, Godard, e o outro era Wong Kai-War ou Fosse?), vou um dos melhores momentos da festa. Achei que Sobre Meninos e Lobos deveria levar Roteiro Adaptado, mas não tiro o crédito dos roteiristas de RDR, trabalho homérico, eu assumo. A Canção eu tinha quase certeza que seria de Cold Montain, concorrendo com 2 composições, mas eles gostam tanto assim do Howard Shore, vai entender. Agora, Edição não tinha jeito. A Academia forçou. A edição de RDR não tem nada demais, justamente o contrário do poder da de Cidade de Deus. Pura exclusão de filme estrangeiro, que eles fazem todos os anos...

E nós, brasileiros, ficamos chupando dedo outra vez.

posted by FELIPE LEAL 12:20 PM

 
11


Filme



Direção



Roteiro Adaptado



Direção de Arte



Edição



Trilha Sonora



Figurino



Efeitos Visuais



Maquiagem



Som



Canção - "Into The West"


posted by FELIPE LEAL 2:08 AM


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