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Sexta-feira, Dezembro 31, 2004
Posted
12:21 AM
by FELIPE LEAL
A Semente do Diabo [The Prophecy, de John Frankenheimer. EUA 1979] - 12
Esse filme é genial, genial. é daqueles filmes tão ruins, mas tão horríveis que são bons. Eu não sei até onde vai a criatividade humana, mas chegamos ao limite aqui, veja só, tem ursos mutantes no filme, ursos mutantes! As atuações são fenomenais, o roteiro é excelente e o urso mutante é a coisa mais genial que eu já vi na vida. É um terror b de intensa qualidade, absolutamente hilário, gargalhante. E com uma das melhores cenas que eu já vi na vida, na cena em que os olhos do ancião pegam fogo, e claro, nas cenas dos ataques do monstrão.
7 Mulheres [7 Woman, de John Ford. EUA 1966] - 77
O Trem [The Train, de John Frankenheimer. EUA 1964] - 66
Fotografia magistral, direção incrivelmente boa de Frankenheimer - sim, isso acontece - e um roteiro não tão bom assim. Peca quando tenta criar joguinhos de heróis e vilões, na tentativa forçada, que beira ao ridículo e ao inverossímil, de demonizar o coronel alemão e transformar o resistente francês que luta que patria e pela arte - bonito, não? - em herói. Peca também na tentativa quase desesperada de criar um romance meia-boca, furado, com uma Jeanne Moureau quase ausente e perfeitamente descartável. De certa forma é um filme de ação/guerra com um fundo moralista, que funciona, apesar do roteiro não o facilitar em muito. As cenas de ação de Frankenheimer são espetaculares e muitas vezes ele consegue transformar cenas potencialmente mal-escritas em algo decente, louros pra ele, que abusou de planos longos e abertos, que aliados a uma fotografia belíssima e a um personagem chave quase anti-herói, criam um filme bem razoável, onde o protagonista são os trens/ferrovias, numa visão enaltecedora dos mesmos.
Terça-feira, Dezembro 21, 2004
Posted
8:06 PM
by FELIPE LEAL
Não ouso escrever sobre este filme agora, uso as palavras de Roger Ebert:
"These two scenes - of Anna, embracing Agnes, and of Karin and Maria touching like frightened kittens - are two of the greatest Bergman has ever created. The feeling in these scenes - I should say, the way they force us to feel - constitutes the meaning of this film. It has no abstract message; it communicates with us on a level of human feeling so deep that we are afraid to invent words for the things found there.
(...)
It continues to look when we want to turn away; it is not moved. Agnes lies thrown on her deathbed, her body shuddered by horrible, deep, gasping breaths, as she fights for air for life. The sisters turn away, and we want to, too. We know things are this bad - but we don't want to know. One girl in the audience ran up the aisle and out of the theater.
Bergman's camera stays and watches. The movie is drenched in red. Bergman has written in his screenplay that he thinks of the inside of the human soul as a membranous red
The dead woman asks the living women to stay with her, to comfort her while she pauses within her dead body before moving into the great terrifying void. Karin will not. Maria will not. But Anna will, and makes pillows of her breasts for Agnes. Anna is the only one of them who remembers how to touch, and love. And she is the only one who believes in God."
Sábado, Dezembro 18, 2004
Posted
11:06 PM
by FELIPE LEAL
Deus e o Diabo Na Terra do Sol é tão fantástico, tocante, poderoso e belo que é provavelmente o melhor filme brasileiro que eu já vi. O Pagador de Promessas talvez divida este título com o filme de Gláuber, não sei.
O que é aquela cena com o bebê, hein? Iluminação perfeita, crítica ácida à Religião como um todo e ao messianismo, atuações brilhantes, medo no rosto de Rosa, Manuel ao chão, chorando sobre à sombra do Santo Sebastião. Cruz ao fundo, bebê no chão, esfaqueado, Antonio das Mortes com sua carabina, se aproximando. Absolutamente assustadora.
- Possivelmente escrever mais sobre este num próximo post.
Alan Parker fez seu melhor trabalho, em Bem Vindos Ao Paraíso [Come See the Paradise, de 1991], uma verdadeira crítica a "terra dos sonhos e das oportunidades", onde como em Asas da Liberdade dá uma porrada na sociedade conservadora norte-americana. Alusão clara ao Holocausto e ao terrorismo dos alemães com os judeus é feita aqui entre os americanos e os japoneses que vivem nos EUA. Após o ataque a Pearl Harbour, os japoneses viventes em Los Angeles começam a ser perseguidos e a sofrer um brutal preconceito, sendo enviados a campos de concentração no meio do deserto americano. Bela história de amor em primeiro plano e uma narrativa em VO entre mãe/filha mais do que interessante. Uma verdadeira superprodução, onde Alan Parker explora os sonhos e desejos dos japoneses nesse novo país, retratando uma família de japoneses e sua relação antes e depois dos acontecimentos com o meio em que vivem. Apesar disso, o filme está longe de ser naturalista, é antes de tudo um filme altamente belo, de relações humanas.
Bem-Vindos Ao Paraíso > Asas da Liberdade > O Expresso da Meia Noite
Quarta-feira, Dezembro 15, 2004
Posted
5:53 PM
by FELIPE LEAL
Dois Westerns.
A construção e a reconstrução do gênero de faroeste clássico em dois filmes
MATAR OU MORRER [High Noon, de Fred Zinnemann. EUA 1952] 80
Matar Ou Morrer é um faroeste mais do que interessante, porque ele é antes de tudo um western que esplora os dilemas morais e um caráter de complexidade psicológica de seu protagonista, o xerife William Kane. Toda a preparação da história para um furioso confronto final entre o xerife e um bandido que este havia prendido 5 anos antes é trabalhada em um incrível roteiro, onde este procura aliados para enfrentar os antagonistas. Mas a verdade é que o verdadeiro antagonista desse filme é o relógio. O filme se passa em tempo real - isso é espetacular - e o xerife procura ajuda e preparação para o confronto final.
As definições das forças de interação entre os personagens são ótimas e os conflitos nunca ficam em aberto. Destaque também para a canção High Noon que percorre todo o filme e para uma atuação maravilhosa de Gary Cooper, que vive um xerife altero, realista, mas bastante corajoso, porque tudo ali se passa em um sentimento de uma sociedade covarde querer se ver livre deste e este enfrentar o dilema de fugir com a esposa ou fazer jus a seu lema como xerife, nos moldes dos faroestes clássicos, da defesa da honra e da moral. Grande filme. Destaque para os brilhantes planos que Fred Zinnemann faz, como na cena em que Kane fica sozinho, abandonado pela sua mulher - que também vive um dilema - e por todos de sua cidade, onde a câmera sai do rosto combalido do xerife e faz um plongée monstruoso ampliando o fato deste estar sozinho. Não vá esperando um faroeste de ação completa aqui nos moldes mais comuns do bangue-bangue. A diferença é que a ação aqui é mais verbal e psicológica num protagonista que é complexo e interessante.
e
POR UM PUNHADO DE DÓLARES [Per Un Pugno Di Dollari, de Sergio Leone. ITA 1964] 73
Inspirado no filme japonês Yojimbo, de Akira Kurosawa, Por Um Punhado de Dólares revolucionou o gênero do western como um todo. Os spaghetti western já existiam na itália - filmes de baixo orçamento, com protagonistas sujos, violentos e assassinos - mas foi com Por Um Punhado de Dólares, filme que abre a Trilogia do Homem Sem Nome que os spaghetti westerns ficaram conhecidos mundialmente. Trazidos para a Itália numa tentativa de repetir os sucessos de bilheteria dos faroestes norte-americanos, os spaghetti western revolucionaram o gênero porque quebraram violentamente o padrão clássico dos faroestes tracionais, como é até o caso - mas não sendo um exemplo perfeito - de High Noon.
O protagonista de High Noon é casado, um xerife, e portanto um homem da lei, vive dilemas morais e quer manter a ordem e a sua honra. Já o Homem Sem Nome, Blondie ou o Americano, como é chamado o personagem sem nome de Clint Eastwood ao longo da trilogia é um homem sujo, violento e que busca riqueza, dinheiro. Simples assim. Tão simples que o gênero passou a ser revisto a partir daí. Justamente como o samurai sem nome de Yojimbo, o personagem do filme de Leone chega a uma cidade sem lei e sem dono, onde dois grupos rivais se confrontam pelo domínio da região. O protagonsita é beberrão, irônico, extremamente sarcástico e um mercenário. Este chantageia e engana ambos os grupos e faz com que estes lutem entre si pelo predomínio do local, ao mesmo tempo em que enche o bolso com as suas recompensas.
Algumas coisas eu não gostei em Por Um Punhado de Dólares, porém. Apesar de a produção ter custado apenas 100.000 dólares, o que não é quase nada comparado ao que seria gasto nos outros dois filmes, o maior problema foi o roteiro. Ao contrário de Yojimbo, que tem um roteiro coeso e muito poderoso, aqui temos algumas falhas. Como na cena incial de apresentação do protagonista, onde este foge sob uma revoada de tiros, coisa que seu caráter prova que este nunca viria a fazer. Também com relação a seu relacionamento com a "mulher" de Ramón, o que não existia em Yojimbo e que criou um "quê" desnecessário neste ponto. O mesmo vale para a sequência em que os Baxter estão sendo assassinados e Leone romantiza o ato, desmitificando o que este tinha construído dos Baxter anteriormente, ficando, IMO, forçado. A iluminação também complica em determinadas cenas, mas é claro que o apuro visual não é o maior elemento aqui e sim a inventividade e a criatividade de Leone, nos closes, diálogos cheios de acidez e crítica e em suas memoráveis sequências de ação e tiroteiro, acompanhadas por uma edição genial e por uma trilha incrível de Ennio Morricone, levado ao sucesso pelas composições da trilogia.
Apesar de alguns problemas, o filme é mais do que interessante e uma apresentação digna de um personagem anti-herói, o quase oposto de William Kane que seria mais desenvolvido nos outros dois filmes da Trilogia.
Domingo, Dezembro 12, 2004
Posted
8:09 PM
by FELIPE LEAL
Esse Obscuro Objeto de Desejo [Cet Obscur Objet Du Désir, FRA/ESP 1977] de Luis Buñuel - 68
Finalmente vi todos os da grade do Telecine. O Fantasma da Liberdade certamente em primeiro, com pequena vantagem sobre A Bela da Tarde e Tristana. Diário de Uma Camareira vem logo atrás e por último Esse Obscuro Objeto de Desejo. O fato é que esse filme é um daqueles que são feitos para serem vistos duas/mais vezes, sacanagem de Buñuel mesmo. Eu só notei que duas atrizes interpretavam a mesma personagem com mais de 1 hora e 20 de filme, sempre ficava aquela sensação de "será que é mesmo?!", então não captei com certeza uma possível dualidade/dicotomia entre ambas as facetas ou personalidades da personagem. Cabe dizer que é um grande filme de humor negro, uma verdadeira sátira de costumes com os clássicos trejeitos de Buñuel de - sempre que possível - criticar a Burguesia, a Razão e a Igreja, aquela cena do trem diz absolutamente tudo, é a irracionalidade modernista dialogando com a razão, a família burguesa e naquele caso a Justiça, que pode ser lida como a igreja, ao meu ver. Fernando Rey em atuação de um obcecado por uma mulher de 19 anos está fantástico. Roteiro do mais inteligente também. A verdade é que eu preciso rever com mais cuidado agora, pois perdi alguns detalhes importantes do filme, que é muito bom.
Uma Mulher é Uma Mulher [Une femme est une femme, FRA 1961] de Jean-Luc Godard - 84
Godard, ora. Godard + Anna Karina, o que eu posso dizer?
Sábado, Dezembro 11, 2004
Posted
3:56 AM
by FELIPE LEAL
Para Sempre Lylia - 82
Do Inferno Ao Céu
Saindo de um filme como Bem-Vindos, munido de temas polêmicos, como aceitação, política e convenções sexuais/sociais, Lukas Moodysson transforma a visão que vinha utilizando em seus filmes em Lylia. Transforma, porque tanto em Amigas de Colégio quanto em Bem-Vindos, os temas sempre polêmicos de Moodysson são tratados com muita ironia, sarcasmo e nunca são mostrados escancaradamente, mas sempre sublevados por determinado tema que se torna mais importante que a sub-trama política/sexual em questão.
Já em Para Sempre Lylia o diretor escolhe escancarar o drama da menina Lilja [Oksana Akinshina] sem pudores, e mostra desde temas abrangentes como o tráfico internacional de mulheres até sensações intimistas como abandono, a carência ou o medo. A verdade é que Moodysson foi muito feliz aqui, ele conseguiu passar brilhantemente a amarga sensação do que Lylia sentia ao longo da projeção e ao mesmo tempo humanizá-la e não mostrá-la como um ser inerte diante de todas aquelas situações. Até porque a personagem tem motivações, sonhos que podem ser vistos logo na primeira cena do filme, onde esta comemora uma possível ida aos Estados Unidos.
Para Sempre Lylia é desde o começo um filme muito humano. O argumento de que o filme choca é válido, mas mais importante que isto é saber que aqui a estética não passa em absolutamente nenhum momento o sentimento. É basicamente uma mistura entre conto de fadas e pesadelo constante, uma profusão de esperanças seguidas por um turbilhão de frustrações e medos. Não soa vulgar e nem tampouco didático. O filme é na verdade uma análise realista de tudo que se passa com a menina, onde a personagem esférica é desenvolvida com inteligência. Esta é acompanhada pelo menino Volodya [Artyom Bogucharsky] após ser abandonada pela mãe, que vai aos Estados Unidos com o namorado.
Lylia é uma personagem cheia de sonhos, aspirações. Apesar de Moodysson mostrar tais elementos, este não os romantiza, e os sonhos da infância crescem junto com uma personagem cujos sonhos de transformação se tornam sonhos de sobrevivência. É um esvaziamento forçado de toda a essência de ingenuidade e infantil da menina, que agora é uma vítima de um cruel mercado de prostituição. Uma das coisas mais interessantes do filme é que apesar de a personagem ser atacada por quase todos os lados, tirando seu amigo Volodya, esta conserva ainda a suas virtudes e sua humanidade, Lylia ainda tenta permanecer íntegra, apesar de seu orgulho estar fragmentado e suas virtudes golpeadas implacavelmente por falsas conjecturas, mentiras e frustrações.
De certa forma, o filme é uma verdadeira pancada de Moodysson. É um filme extremamente violento, física e psicologicamente. Todo o sofrimento da menina - desde o abandono da mãe, os abusos da tia, falsas amizades, exploração sexual, falsas aspirações e agressões físicas - é mais uma análise de Moodysson sobre elementos da realidade humana, nua e crua. Só que apesar disso, a conexão com a personagem se dá não só por causa desses elementos, mas basicamente pela já comentada profundidade que o roteiro dá a mesma. Não é apenas um filme sobre uma menina sofrendo, é um filme sobre uma menina cujos sonhos, aspirações e ingenuidade nos cativam e cuja eliminação dessas características cria certa repulsa aos acontecimentos mostrados no filme. Lylia substitui os sonhos de mudança por desejos de morte, tamanha opressão dos fatos. A personagem que vemos na primeira cena do filme, vívida e alegre sofre uma absoluta transformação, pois esta, acima de tudo, não estava preparada para viver no mundo em questão. Nem esta nem Volodya, pois estes, diferente de todos os outros personagens do filme, ainda mantém suas credibilidades e lutam desesperadamente integridade, sobretudo moral, em meio aos sufocantes acontecimentos que os cercam.
A relação desenvolvida entre ambos, Volodya e Lylia é bastante interessante também, num misto de relação atrativa e de proteção mútua. Observa-se uma união comum para a sobrevivência, união esta construída sobre as bases do carinho entre os dois personagens que se protegem nesta esfera dos cotidiano exterior, que eventualmente tenta invadir e destruir este espaço. O roteiro de Moodysson é construído com profundidade, onde este procura o máximo de suas personagens em cada cena, como na sequência inicial, quando aliando o peso da banda alemã Rammstein com planos abertos e a uma interpretação magistral de Oksana Akinshina, cria uma primeira ligação com o espectador e inicia uma narrativa em flash back.
A direção de Moodysson varia entre ser invasora, escancarada e intuitiva. Quando a narrativa pede - em quase todo o filme pois o sofrimento pela qual passa a personagem não deixa de moldar sua visão de mundo - este dá espaço a suas personagens e promove uma profusão de sentimentos construtivos de suas personalidades. Já em outros, ocorre o contrário, porém com já a ligação com estes, o efeito de impacto é desvirtuado positivamente, o que potencializa a narrativa.
Apesar de cometer alguns excessos, como na cena em que a mãe de Lylja se despede da menina [onde esta corre em câmera lenta, cai na lama, chora ao léu, tudo no maior estilo A Lista de Schindler], Para Sempre Lylja é um filme primoroso, com um elenco muito competente, uma escolha de trilha sonora interessante e acima de tudo é um filme bonito e que emociona. A obra de Moodysson é um estudo da natureza humana e da tentativa de manutenção da integridade em situações extremas, é um filme que fala do calvário de uma menina e que desenvolve uma sub-tramapolítico/social de fundo. Sem soar piegas ou gratuito, Para Sempre Lylja é definitivamente verdadeiro.
Para Sempre Lylia [Lilja 4-ever, SUE 2003] dirigido e escrito por Lukas Moodysson
Sexta-feira, Dezembro 10, 2004
Posted
3:50 AM
by FELIPE LEAL
Expectativa da Fundaj. [Os Educadores e O Abraço Partido devidamente comentados abaixo]
Em breve os comento.
O Pântano [La Ciénaga, ARG 2001] de Lucrecia Martel - w/o [pensando]
Kill Bill: Volume 1 [Kill Bill: Vol. 1, EUA, 2003] de Quentin Tarantino [3ª vez] - 85, sobe de 83
Kill Bill: Volume 2 [Kill Bill: Vol. 2, EUA, 2004] de Quentin Tarantino [2ª vez] - 83, sobe de 79
Whisky [idem, URU 2003] de Juan Pablo Rebella - 80
Desde Que Otar Partiu [Depuis qu'Otar est parti..., FRA/BEL/Geórgia] de Julie Bertucelli - 15
Pegaram Adeus Lênin!, espremeram e saiu um caldo. Jogaram o caldo fora e pegaram o bagaço. Espremeram esse bagaço e algumas gotas de caldo restantes foram jogadas fora também. Aí do bagaço do bagaço criou-se Desde Que Otar Partiu. [breve mais]
Igual A Tudo Na Vida [Anything Else, EUA 2003] de Woody Allen - 70
O Agente da Estação [The Station Agent, EUA 2003] de Thomas McCarthy - 28
off Fundaj:
Como Se Fosse A Primeira Vez [50 First Dates, EUA 2004] de Peter Segal - 56
Bem-Vindos [Tillsammans, SUE 2000] de Lukas Moodysson - 47
Acossado [À bout de souffle, FRA 1960] de Jean-Luc Godard - 75
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estrelas são legais mas eu não sei usá-las.
Segunda-feira, Dezembro 06, 2004
Posted
12:28 AM
by FELIPE LEAL
Expectativa Fundaj 2:
O Abraço Partido [El Abrazo Partido, ARG 2004] de Daniel Burman - 63
O filme argentino dirigido por Daniel Burman se pauta em uma ótima narrativa em voice over [ouvimos os "pensamentos das personagens"], e nas peculiaridades de mundo à parte e ao mesmo tempo tão englobado ao cotidiano medíocre do judeu Ariel Makaroff [Daniel Hendler numa atuação bastante cínica, descrente e competente] cujo pai abandonou a família para ir a Guerra do Yom Kippur. A única motivação de Ariel é se tornar cidadão europeu e fugir daquele meio deprimente e estático; Para Ariel, tudo a sua volta é frívolo e monótono. Este fica em um dilema entre abandonar a loja de lingeries que mantém com a mãe [Adriana Aizemberg] e o cotidiano da galeria onde a loja está localizada ou permanecer e vencer o fantasma da figura ausente de seu pai, com a qual mantém certa distância e mágoa.
As figuras da galeria, quase caricaturas formadas por estereótipos de pessoas comuns - uma família de italianos, uma oportunista de saias, um agiota, um vendedor de brinquedos infantis importados, etc - são declaradamente fragmentos que remontam a visão da realida de Ariel. Tudo que este vê é fruto da junção de cacos do que os outros vivem, justamente porque Ariel não consegue se livrar do peso da falta de um pai, e da vontade contida de um reencontro.
Interessante também é observar que a Buenos Aires retratada no filme não é aquela capital argentina romantizada e enaltecida. Muito pelo contrário, Daniel Burman escolheu como cenário de sua narrativa uma Buenos Aires caótica, negligente e suja, onde seu protagonista corre em meio ao caos urbano, numa conexão interessante entre sua conturbada vida entre sonhos fragmentados e escapismo perante às suas fraquezas quanto a sua vida medíocre com o meio que o cerca.
De certa forma é um filme que começa bem, mas que depois acaba perdendo um pouco o foco da narrativa, principalmente no último ato, ficando preso ao próprio estigma paralisante da narrativa e a estereótipos bem construídos, mas que de certa forma não engrandecem e ao mesmo tempo criam uma visibilidade posterior e fragmentária do que é narrado. Cai em clichês de vez em quando, também. Apesar de tudo, é bastante engraçado, com uma boa direção de Daniel Burman e um foco decente no protagonista.
Sábado, Dezembro 04, 2004
Posted
11:11 PM
by FELIPE LEAL
Expectativa Fundaj:
Os Educadores [Die Fetten Jahre sind vorbei , ALE 2004] de Hans Weingartner - 79
O que mais gostei do filme é a sua auto-ironia, como ele pode ser auto destrutivo e quebrar os padrões e todos os alicerces construídos anteriormente. Hans Weingartner cria uma idéia batida, de adolescentes revolucionários querendo mudar o mundo desesperdamente, só que seu maior trunfo é que depois de uma primeira metade cheia de adrenalina, este cria e reconstrói o resto do filme sobre os destroços do que sobrou. A adrenalina e a vivência juvenil dão lugar a um humor ácido e altamente irônico, com pitadas de provocações sobre ideais inalcançáveis e idealismos vencidos. A premissa inicial é comum, porém criativa. Adolescentes conhecidos como "The Edukators" invadem casas de ricaços, porém sem roubar nada, apenas mudando os móveis de lugar, e pregam bilhetes com os dizeres: "sua fartura acabará" em tentativa de provocar e dissolver o modo de produção capitalista. Diálogos revolucionários e atos irresponsáveis, porém muito vívidos se sucedem até o momento em que estes com o apoio de uma amiga acabam por sequestrar um milionário. Este ponto de virada é interessante na medida em que a relação que se constrói entre os quatro, o sequestrado e os 3 adolescentes, evolui de um discurso didático e de embate de idéias para "mudar o mundo" para uma relação quase fraternal e de conciliação entre ambos. A ironia na primeira metade já se faz presente, porém apenas timidamente, é aqui onde ela ganha figura real e se expande apoiada em um ótimo roteiro. Este momento é quando todas as idéias e o fervor de "revolução" são moldados em mera brincadeira juvenil e o sentido inicial do filme é brilhantemente destruído e reconstruído, mesclando pura ironia com um humor contagioso. Daniel Brühl, o mesmo de Adeus Lênin! compõe um personagem razoavelmente interessante, acompanhado pela linda Julia Jentsch e por Stipe Erceg. A relação entre os três em um triângulo amoroso que se forma, aparentemente boba à primeira vista, é mais uma ótima ironia utilizada. Faz-se uma reconstrução cotidiana e engraçada sobre os anos de sexo, drogas e rock'n'roll no período do renascimento sexual e de mentalidade na juventude "revolucionária" mundial. A trilha sonora com 'Hallelujah' cantada por Jeff Buckley é bastante válida também, apesar de um pouco repetitiva.
Posted
3:52 AM
by FELIPE LEAL
Irreversível [Gaspar Noé, FRA 2002] - 20
Como fazer um filme como Irreversível?
1 - coloque uma câmera girando 100% do tempo, a "câmera helicóptero".
2 - coloque temas polêmicos, como vingança e homossexualismo.
3 - tenha uma cena de estupro
4 - uma cena de espancamento com um extintor de incêndio
5 - personagens planos
6 - pedantismo estético do diretor
7 - frase humanizadora pseudo impactante como "o tempo destrói tudo"
Claro que eu poderia citar mais alguns fatores, mas acho que esses são os principais. Irreversível é isso. É antes de mais nada um filme vazio, raso e pedante, que só se apóia em duas cenas violentas e num discurso final que teoricamente definiria/resolveria toda a trama. A escolha do diretor pela "câmera helicóptero" foi de certa forma mero preciosismo formal, procura por engrandecer a obra esteticamente e criar certa inovação narrativa por uma edição acompanhada da câmera voadora. É mero pós modernismo. Não tem absolutamente nenhuma função a escolha deste tipo de câmera, talvez a tentativa de deixar os espectadores com dor de cabeça e nocauteados para qualquer possibilidade de reação quanto ao conteúdo do filme. Dizer que a câmera representa o "clima caótico do filme" ou "a atmosfera constante e crescente de vingança" é forçar bastante a barra. A narrativa em flash back até que é interessante, porque faz algum sentido e valoriza a estrutura narrativa. Na verdade, Gaspar Noé quis chocar. Ele quis criar um filme para que as pessoas ficassem embasbacadas com o que vissem, tanto é que ele coloca uma sequência de "vingança com as próprias mãos" a lá Duro de Matar onde um homem entra em uma boate gay e explodoe a cabeça de um cidadão com um extintor de incêndio [quem não sabia disso ainda?]. Ao mesmo tempo os homossexuais gritam "me arromba" e se esfregam uns nos outros. Filtro vermelho. Gritos, paralisia. Qual a função disso? Chocar. Querer subverter o sentido real da cena para uma potencialização estúpida de seu sentido junto ao espectador.
Depois Gaspar Noé cria a tão comentada cena de estupro em que Monica Bellucci grita como um bebê. Mais uma vez o já falado filtro vermelho, esta com roupas mais "me coma" que as moças do funk e o misto de violência com perversão sexual. Oh, como é chocante. O filme é tão ruim, é tão desconexo, os personagens são tão planos e o estilo de narrativa e suas complicações são tão frívolas que ao ver a cena do estupro eu quase desisti de ver o resto do filme. Não por ser chocante ou nada do tipo, porque não é, mas porque me cérebro estava pedindo arrego. Os personagens são bonecos, marionetes que brincam de Casa dos Artístas uns com os outros, aquele negócio de troca de casal, amor famigerado, sentimentos difusos como explosão de violência, dor, tudo muito banal, tudo muito "humano", como Gaspar Noé deve ter pensado. Até pode ser, mas o contexto do filme fez parecer com que eu estivesse jogando The Sims e mandado meu Sim esbofetear o amigo. Casualidade forçada, pedantismo mascarado de expressionismo humanista. Os personagens, seja o vingador do futuro Vincent Cassel [Marcus], o seu amigo nerd Albert Dupontel[Pierre] ou a provocadora/abusada sexualmente Monica Bellucci [Alex] são tão rasos como um prato de papa. Eles não tem sentimentos, eles são marionetes, Noé é tão abominável que ele cria simulacros de sentimentos em situações isoladas e desconexas [o que é aquela conversa sobre pênis no metrô?!] e tenta que o espectador veja seus personagens como íntegros. Mas claaaro, ele usa uma frase como "o tempo destrói tudo" e tudo absolutamente se conserta, todas as infantis complicações do filme se resolvem e os personagens ganham sentido, força, humanidade. Prendam Gaspar Noé, por favor.
Quarta-feira, Dezembro 01, 2004
Posted
11:18 PM
by FELIPE LEAL
Programação - Expectativa do Cinema da Fundação:
Sexta, dia 03
19h20 - O Pântano, de Lucrecia Martel
21h30 - Os Sonhadores, de Bernardo Bertolucci
Sábado, dia 04
17h - Os Educadores, de Hans Weingartner
19h10 - O Abraço Partido, de Daniel Burman
21h20 - Para Sempre Lylia, de Lukas Moodyson
Domingo, dia 05
16h40 ¿ Para Sempre Lylia (2º Exibição)
18h50 - O Pântano (2ª EXIBIÇÃO)
21h ¿ Os Educadores (2ª EXIBIÇÃO)
Segunda, dia 06
18h30 - Kill Bill Vol. 1, de Quentin Tarantino
20h40 - Kill Bill Vol. 2, de Quentin Tarantino
Terça, dia 07
16h30 - Gosto de Sangue, de Ethan e Joe Coen
18h30 - O Agente da Estação, de Thomas McCarthy
20h40 ¿ Whisky, de Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll
Quarta, dia 08
18h30 - Whisky (2ª EXIBIÇÃO)
20h40 - Desde que Otar Partiu, de Julie Bertucelli
Quinta, dia 09
18h30 - A Programar
20h40 - Balzac e a Costureirinha Chinesa, de Dai Sijie
Sexta, dia 10
18h - Igual a Tudo na Vida, de Woody Allen
20h10 - Antes do Pôr-do-Sol, de Richard Linklater
21h50 ¿ A Programar
Sábado, dia 11
17h - Balzac e a Costureirinha Chinesa (2ª EXIBIÇÃO)
19h30 - Casa dos Bebês, de John Sayles
21h30 - Bad Santa, de Terry Zwigoff
Domingo, dia 12
17h30 - A Vida é um Milagre, de Emir Kusturica
20h30 - Igual a Tudo na Vida (2ª EXIBIÇÃO)
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