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Sexta-feira, Julho 29, 2005
Posted
7:11 PM
by FELIPE LEAL
/Nascido Para Matar [Full Metal Jacket. EUA 1980, Stanley Kubrick]/ - quinta vez - 74
não tem jeito não. quando se dá a passagem da primeira pra segunda parte o filme cai de ritmo vertiginosamente. e a narrativa irônico-política do começo da segunda parte da mesa de imprensa de guerra até os vietcongs mortos na vala com cal, não é bem administrada, já que a primeira parte do filme a desenvolve, mas num subfundo que deveria continuar existindo nessa segunda parte. depois do encontro com animal mother, cowboy e outros, o filme volta a seguir o bom ritmo que mantinha até o começo da segunda parte, mas o final é manipulador, manipulador como o final de glória feita de sangue. pra quê escandalizar os "horrores" da guerra se eles já haviam sido mostrados e ampliados exponencialmente em todos os outros minutos anteriores? desnecessário. mas sim, é um filme muito poderoso e extremamente impactante e arrebatador. a direção de kubrick é espetacular, o trato com o roteiro e a construção dos personagens idem e a fotografia é invejável. a trilha sonora, extremamente criativa, acrescenta potencial híbrido e irônico ao filme, estrutura que é desenvolvida desde o começo da narrativa.
"ain't war hell?!"
Sin City [Idem. EUA 2005, Robert Rodriguez e Frank Miller] - 77
O Quarteto Fantástico [The Fantastic Four. EUA 2005, Tim Story] - 41
Medo e Delírio [Fear and Loathing in Las Vegas. EUA 1998, Terry Gilliam] - 65
del toro e depp se drogando durante duas horas e 10 minutos com TODAS as drogas possíveis e imaginárias.
Dr. Gonzo
That's what gives me The Fear.
Raoul Duke
Look over there. Two women fucking a Polar Bear.
Dr. Gonzo
Please, don't tell me those things... Not now.
Aguirre, a Coléra de Deus [Aguirre, der Zorn Gottes. ALE 1972, Werner Herzog] - 76
Segunda-feira, Julho 18, 2005
Posted
5:46 PM
by FELIPE LEAL
O Predador 2 Dublado [Predator 2. EUA 1990, Stephen Hopkins] - 14
Pra falar a verdade, eu sempre tive medo do Predador. Do Alien também, mas mais do Predador, não sei porque. Vai ver que é porque eles dilaceram as cavidades intestinais das pessoas e depois as penduram de cabeça para baixo, sangue escorrendo. Quando eu era pequeno meu pai sempre ficava assistindo na sala filmes de Predador, Aliens e afins, eu ficava ao lado dele, mas com a cabeça escondida embaixo da almofada, tentando me esconder de uma possível cena de suspense. Medo do desconhecido, uma psicóloga poderia acusar. Ou viadagem infantil mesmo.
Hoje sou fã dos dois primeiros filmes da série Alien e acho razoável o primeiro da série Predador. Talvez por isso fui ver o segundo da série do bixo de rasta-fari, mas o problema é que o filme é tão ruim que é engraçado. É beirável ao trash, ao sem sentido grotesco baseado em uma idéia já desgastada no primeiro filme e que não foi desenvolvida de nenhuma forma a não ser uma carnificina sem explicações neste segundo trabalho. Ou tentativa de trabalho.
O esquema é o seguinte, Los Angeles, 1997, a cidade aparentemente está um caos, criancinhas sem mães, perdidas no meio da rua. Traficantes e policiais se atirando atrás de carros blindados, bangue bangue cibernético. Duas gangues, a dos jamaicanos e a dos colombianos querem o controle do tráfico local, então resolvem atirar uns nos outros. A polícia tenta intervir, participa um pouco da brincadeira e dispara uns tiros também. Morrem algumas pessoas, alguns vilões fuzilados se mantém em pé rindo sarcásticamente "eu voltarei" e continuam atirando nos policias - que aqui são durões. É o caos urbano, você não iria querer morar ali, aposto.
Só que os bandidos tem um grave problema, Danny Glover é um policial. E o cara é sinistro porque antes de vir pra Los Angeles ele já tinha feito Máquina Mortífera 1 e 2, Silverado e A Cor Púrpura, ou seja, não é pouca merda não. O Arnold Schwarzenegger, aquele cara fortão, já tinha ido pro saco no primeiro filme da série. Só que tem uma diferença, o Danny Glover talvez não seja forte como o Arnold, mas ele é mais inteligente, o que não é muito difícil. É um policial agressivo também que tenta ultrapassar as fronteiras da burocracia policial de LA para liquidar definitivamente o caos instaurado por tal cenário apocalíptico.
Brincar de policia e ladrão é até tranquilo, o Danny tem alguns problemas com um colega da polícia, um outro polícial tem seu saco apertado por uma colega durona, nada mais característico. Parece até Máquina Mortífera 3. Só que aí aparece o alienígena, o predador. Ele simplesmente aparece e a razão para ele ter aparecido é mais estúpida e sem sentido de todas, ele quer caçar, ele é um caçador. Ele vem lá da casa dele com uma navezinha para a Terra caçar e matar humanos, e depois colocar seus esqueletos como troféus na parede. Alguma relação com os caçadores que vão na África caçar elefantes? A-há, a moral construtiva do filme pegou você, nobre espectador. Esse é o único ponto virtualmente inteligente - o que pra mim não o é - de toda a história. "Se eles caçam leões, porque a gente não pode caçar humanos?" ou então "O que vcs sentiriam se fossem caçados brutalmente justamente como o que vocês fazem nas savanas africanas?". É quase uma campanha da fraternidade pela salvação dos animais.
Aí o Predador ao invés de ir pra uma cidade mais tranquila, pacata para caçar seus humanos, ele resolve vir para a tão caótica Los Angeles. "Sorte a dele", pensa Danny Glover. Só que ele simplesmente não vai para qualquer lugar de Los Angeles, ele vai matar os traficantes que fodiam toda a cidade, os jamaicanos e os colombianos. O Danny Glover e os outros curtem a parada, já que todos os vilões gargalhantes morrem em poucos segundos pelas garras, armas e redes mortíferas do alien futurista. Ao matar todos os traficantes, "por que logo os traficantes?", ele resolve então matar os policiais, talvez por terem armas de fogo que o ameaçariam, não sei. Tem até uma cena, espetacular, quando num vagão de metrô uma gangue de ladrões tenta roubar um homem, aí este saca um revólver. A moça do lado saca um revólver, os 2 policiais ali de dentro sacam mais dois revólveres. "O meu é maior." Só que não adianta revolver calibre 38 contra o predador, ele tem uma armadura, ele tem uma máscara, tem armas potentes, etc. Ele mata todos do metrô, arranca suas cabeças e coloca na sua coleção pessoal. Antes de matar, ele pergunta às vítimas: "Quer um doce?!", uma frase que aprendeu com uma criancinha. Veja que o Predador não mata crianças, ele mata traficantes. Haja instrutividade.
O problema é que ele mata até os amigos do Danny Glover. Aí a coisa fica complicada porque ninguém mexe com o Danny. Então rola um combate "mortal" - sério? - entre o Predador e o policial pelos prédios, por um frigorífico, por um banheiro de uma senhora idosa e até no poço de um elevador. Eles se degladiam em todos os lugares da cidade, é um troço violento. A cena do Predador se cicatrizando é sensacional também. A velhinha ao lado de fora com uma vassoura enquanto o animalzinho grita dentro do banheiro invadido.
Enfim, melhor que Alien vs Predador o é, até porque não tem como alguma coisa ser pior que aquilo, mas o filme é apoiado somente em complicações absurdas e sem explicação, galgadas em uma falsa moral ridícula que sustentaria a trama de alguma forma. Danny Glover faz a mesma coisa que fazia em Máquina Mortífera, mas sem as piadinhas e sem o Mel Gibson. O suspense não existe e qualquer possibilidade de "terror" é mera tolice. A tentativa de guardar ao máximo o suspense da criatura estranha, como em Tubarão de Spielberg aparece aqui, mas é tão mal construída e é tão escancarante os erros de continuidade do roteiro, que o filme afunda em si mesmo e na própria idéia levantada pelo primeiro filme da série. E eles bem que podiam usar um tipo de sangue mais convincente, tipo aqueles que vêm nos kits de magia da Eliana. Aposto que ficaria mais assustador.
Sábado, Julho 16, 2005
Posted
1:30 AM
by FELIPE LEAL
O Eclipse [L'eclisse. ITA 1962, de Michelangelo Antonioni] - 89
O Eclipse eh um filme demasiado denso, de forma que Antonioni se utiliza das mais variadas formas de expressão artística dentro da estética cinematográfica, além dos seus simbolismos, que são profundos, e o mais importante, coerentes. Não estão ali por mera formalização ou tentativa de auto-valorização de uma obra que a primeira vista seja vazia, como muitos diretores o fazem. L'eclisse fala de amor. Assim como em L'avventura, o tema é exatamente o mesmo, mas abordado de formas diferentes. Em A Aventura, o amor é um jogo, é uma forma de envolvimento acoplado a um não-envolvimento, a uma forma de brincar com a criatura amada, num jogo de claro e escuro, de provocações. também em A Aventura, o amor é sinonimo de tédio, de esvaziamento de uma complexidade amorosa verdadeiramente falando. É quase o oposto de O Eclipse se formos analisar o segundo filme de uma maneira mais superficial. Aqui, o amor é alegria, sorrisos. Não é a monotonia certeira que determina o primeiro filme, mas é o esplendor e uma expansão incomensurável do sentimento humano. As camadas da aproximação, realizacão e expansão do sentimento envolvente ao ato de amar sao o que Antonioni quis mostrar neste trabalho. A emotividade dos personagens, interpretados majestosamente por Monica Vitti e Alain Delon, quase lírica, é galgada numa realidade que muitas vezes chega a se aproximar do onírico. Antonioni realiza planos paradoxais a própria proposta do amor, da qual já havia falado antes [amor = luz, claro, realização. penumbra = desilusão, tristeza]. Ele nao cria um padrão fílmico para as situações ali demonstradas, o que expande o critério utilizado pelo diretor e não prende à natureza de seus personagens e dos acontecimentos do seu filme a apenas determinadas estratégias de filmagem. O amor se realiza na penumbra, mas tambem no sol, no campo, quando abrem uma mangueira e brincam na grama. O ato de amar em si é totalmente incondicional, caracteristico de todo e qualquer ser humano, a entrega gera medo, temor, principalmente na personagem principal - é impressionante o carater de realismo nas personagens do filme - que sofreu uma desilusão amorosa, presa nas limitações do ex amante. A abertura do filme com Monica Vitti abrindo as janelas num contra plano com a penumbra do ambiente viciado já escancaram as pretensões da mesma, até porque aqui estas - as figuras do roteiro - não sabem basicamente nada do que querem, se querem amar, se querem ganhar dinheiro ou se querem apenas sexo.
O carater ambiguo de cada personagem é latente no desenvolvimento da narrativa. O ato de amar é a plenitude, mas ao mesmo tempo é a tristeza e a solidão de ficar preso a um destino, a uma rotina. É a quebra mais do que sombria que Antonioni faz com o próprio filme, e creio eu, é uma determinacao mais elaborada e criativa que a demonstrada em L'avventura. A casa em construção é tao frágil quanto o próprio amor e o simbolismo de janelas, cortinas e luzes são as tônicas do filme para com os meios em que os personagens se envolvem e porque eles se comportarão daquela maneira, seja pela influência do meio ou porque este seja apenas um reflexo de suas emoções. A personagem tem medo de se envolver e ver tudo aquilo já vivido se repetindo novamente, ela passa então a observar, a conter seu caráter realmente humano, que vem sendo liberado ao caminhar do filme, quando vai encontrando novas pessoas e vai vivendo novas experiências. A cena onde se veste de africana é tão bela e ingênua e Vitti simplesmente faz ali uma de suas melhores interpretações de todo o filme, é a felicidade representada, o que impacta pela própria forma como a cena de dança é mostrada em contraposição com as idéias e desenvolvimento anterior do roteiro. Coisas muito simples, como por exemplo, caminhar no parque ou ver álbuns de fotografias, que era justamente o que faltava a mesma, sufocada anteriormente em uma relacao amorosa vazia e superficial. Ela tem medo de amar e medo de ser amada. mas ela precisa ser amada. e o mais importante, ela precisa amar. O plano com a faixa de pedestres, o barril de água suja e o prédio em construção sao da mais bela criação artística de todo o filme, é a representação do que os personagens não conseguem falar, do que nao conseguem dizer, da fragilidade de caráter de cada um e da necessidade latente de ter uma nova experiencia, fora do lugar comum e da mesmice. A todo o momento, a personagem vive um enigma, ela precisa falar, sorrir, mas ela não pode, porque tem medo de uma nova desilusão. Porém, como em A Aventura, o final em O Eclipse é extremamente pessimista e - novamente - paradoxal, de forma que depois de expandir a estrutura da personagem principal, a tornando humana, voltando a vida, digamos, a coloca na penumbra, porque o amor é uma faca de dos gumes, ele aprisiona e ao mesmo tempo domina carinhosamente. O jogo de imagens e a expressividade dos atores, principalmente de Vitti, é tão fantástica, que cada cena é um verdadeiro universo de sentidos e significações, que - o mais interessante de analisar tanto este quanto A Aventura - tais significações podem simplesmente não existir, Antonioni cria essa interdependência de sentidos e elementos off-screen para criar uma amplitude infinita a sua trama, mas que não necessariamente na maioria das cenas seja de tal importância, talvez, ele queira deixar apenas que seus personagens vivam e sintam, sem se preocupar com ampliar quaisquer significados ali presentes, até porque, o próprio ato de amar e de ser humano já são meios tão amplos e inconsequentes quanto maravilhosos.
Quarta-feira, Julho 13, 2005
Posted
5:37 PM
by FELIPE LEAL
K-9, Um Policial Bom Pra Cachorro [K-9. EUA 1989, de Rod Daniel] - 40
é sensacional. "você pode até levar a poodle branca de focinho raspado com a gente para Vegas, aquela gostosa."
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